terça-feira, 28 de setembro de 2010

O MAIS BELO ARTIGO DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL



A Lei Fundamental do ordenamento jurídico brasileiro, que também é base para a ação política, é pródiga de expressões capazes de inspirar contentamento, principalmente se fossem empregadas integralmente. Mesmo que ainda careça de aplicação, a beleza da Constituição Brasileira se manifesta nos ideais que representa: justiça, liberdade, respeito às diferenças, proteção aos mais necessitados, entre outras tantas metas que, certamente, serão o resultado das conquistas morais de nossa sociedade.

De todos estes ideais consagrados na Lei Maior, inclino-me, particularmente, à beleza do artigo 225, que transcrevo:

“art. 225 CF – Todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Mesmo com toda a importância do tema “meio-ambiente”, o ponto que desejo destacar aqui é o conteúdo moral encontrado na norma. Acredito que este artigo representa, como nenhum outro, os ideais de solidariedade e fraternidade mais nobres, pois demonstra cuidado não somente com o indivíduo, mas com o conjunto da sociedade, tanto a presente quanto a futura.

A capacidade de pensar nos outros indivíduos de modo cuidadoso e meigo é um grande avanço moral do ser humano, postura que foi ensinada pelo Mestre Jesus: “faz aos outros o que deseja para ti mesmo”. Quando desenvolvermos o amor ao próximo, saberemos cuidar até daqueles que não convivem diretamente conosco e ainda dos que vão nascer, ou seja, as gerações futuras indicadas no dispositivo constitucional.

Além do mais, o mencionado artigo nos alerta sobre a necessidade de praticarmos os nossos deveres para que possamos usufruir de direitos, estimulando-nos ao cumprimento de nossa responsabilidade pessoal e coletiva, indicando que não devemos só esperar ações dos governantes e que a conduta de cada indivíduos é de fundamental importância para o bem comum.

No momento em que percebermos que o bem-estar individual é proporcional à nossa contribuição para o bem comum, iremos construir uma sociedade justa, harmonizada, pacífica e, realmente, civilizada.

Que os ideais de responsabilidade e fraternidade inspirem nossa conduta nas eleições do dia 03 de outubro, para que possamos construir uma sociedade mais bela, inspirados pelo amor do Mestre Jesus Cristo.

Muita luz e paz a todos os que acompanharam e contribuíram com o blog ESPIRITISMO E POLÍTICA.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A FELICIDADE PODE SER DESTE MUNDO



Já sabemos, pelos ensinamentos de Jesus, que a felicidade não é deste mundo, pois ainda impera em nosso orbe muitas dores e angústias, em decorrência de nosso atraso moral. No entanto, o Mestre Maior nos proporcionou as orientações necessárias para que possamos, algum dia, alcançar o estado de ventura e contentamento perpétuo.

No capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no tópico “a felicidade não é deste mundo”, os orientadores espirituais nos convidam a refletir sobre os progressos alcançados pela nossa sociedade, indicando-nos que podemos deduzir deles novos e mais fecundos melhoramentos sociais. Além disto, nos alertam acerca da tarefa que a Doutrina Espírita tem de colaborar para o progresso humano.

Através das expressões utilizadas pelos Espíritos esclarecidos na obra citada: melhoramentos sociais e progresso futuro, fica evidente que a evolução esperada alcançará todos os aspectos da vida coletiva, inclusive nas instituições e condutas políticas, que serão transformadas pela ação regeneradora da benevolência e da humildade, na proporção dos nossos esforços em vivenciar a Lei de Amor, Justiça e Caridade.

Cada um que abraçar os ideais do Consolador tem um importante papel a cumprir neste processo de avanços para a transformação moral de nossa casa planetária. Sobre este ponto, os orientadores espirituais nos alertam: “é um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios da luz sagrada”. E a forma mais eficiente de cumprirmos este dever é através de uma conduta moralmente digna, consciente e responsável.

No que se refere à participação política, particularmente, não podemos desconsiderar os desvios que se apresentam no caminho, como tentadoras ilusões de cargos, empregos, favores e vantagens, atiçando o orgulho e a vaidade e estimulando a prática das mais diversas iniquidades para satisfação pessoal, em detrimento do bem coletivo.

Em mais este momento de importantes decisões para o nosso país, o período eleitoral, mesmo que ainda não possamos nos considerar, ainda, felizes, faz-se necessária a nossa reflexão para sabermos se estamos cumprindo, fielmente, o compromisso solene com a Bondade Divina, de “preparar, às novas gerações, um mundo em que a felicidade não será mais uma palavra vã”.

domingo, 12 de setembro de 2010

INFANTILIDADES NA POLÍTICA



Ao tentar analisar, sobriamente, a nossa conduta política, percebemos como ainda estamos em um atrasado estado de infantilidade moral, marcado por sentimentos mesquinhos, como o egoísmo, a inveja e o despeito. Apesar de registrarmos avanços, muito nos falta para alcançarmos a maturidade moral.

Dentre estes comportamentos tolos, gostaria de salientar alguns dos mais comuns e refletir sobre suas causas e consequências:

VOTAR EM QUEM ESTÁ NA FRENTE – Conhecida popularmente como “Maria vai com as outras”, a pessoa que vota em quem aparece melhor nas pesquisas, demonstra falta de segurança nas suas próprias decisões. Estes eleitores não querem “perder o voto”, ou seja, rejeitam o sentimento de derrota por não eleger seu candidato. É o mesmo que torcer para o time que está ganhando, para não ferir o orgulho com a marca de “perdedor”.

TORCER CONTRA OS QUE GANHAM – Os membros da turma do “quanto pior melhor” torcem para que os seus adversários cometam falhas e, muitas vezes, até colaboram para que atitudes equivocadas ocorram, de modo a mostrar que foi um erro escolher um determinado candidato. Esta postura contraria a recomendação cristã de amar os inimigos, ou seja, agir de maneira caridosa com os nossos adversários e torcer para que suas condutas possam ser sensatas e capazes de beneficiar toda a coletividade.

HUMILHAR OS ADVERSÁRIOS DERROTADOS – Utilizando músicas debochadas, toques de buzinas, fogos de artifício, muitos candidatos e eleitores bem sucedidos nas campanhas, não perdem a oportunidade de ridicularizar os perdedores. Agem como se estivessem alcançado um prêmio para usufruto próprio e não uma grande responsabilidade, pela qual será cobrada uma prestação de contas.

VOTAR EM BRANCO OU NULO – Já falamos sobre o “voto de protesto”, que não costuma trazer bons resultados. Nesta mesma linha, muitos mostram sua insatisfação através dos votos em branco ou nulos. Às vezes até por desconhecimento da legislação, grande parte dos que adotam esta postura não percebem sua ineficiência, pois estes votos não são levados em consideração na contagem, apenas os votos válidos. Muitas vezes falta informação, antes de uma tomada de decisão.

Estes comportamentos infantis em nada dizem respeito à orientação evangélica, que nos recomenda ser semelhantes às crianças para merecermos o Reino de Deus. Naquela oportunidade, Jesus falava da necessidade de sermos simples e humildes. Porém, a infantilidade moral na política é um desajuste que dificulta a prática séria de atitudes de respeito à coisa pública e que colaborem para o bem comum.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VOTO DE PROTESTO: OPÇÃO PERIGOSA


Em decorrência da insatisfação que algumas pessoas apresentam pela forma como a política é praticada no Brasil, é comum os eleitores manifestarem seu descontentamento através de uma conduta conhecida como “voto de protesto”, que normalmente se dá pela escolha de candidatos com jeito exótico, brincalhão ou com algum traço apelativo, distantes das qualidades necessárias para o exercício de qualquer função pública, como competência, experiência, liderança e moralidade. Porém, esta opção parece pouco acertada, em virtude das consequências prejudiciais dela decorrentes.

Primeiramente, percebe-se que esta conduta é incompatível com a Lei do Progresso, porque pretende mudar a política tornando-a, intencionalmente, pior do que já está. A situação fica ainda mais comprometedora quando os “votos de protesto” para o Legislativo possibilitam a eleição de outros candidatos, beneficiados pelo coeficiente eleitoral, que são nomeados quase sem representatividade. Os artistas e figuras folclóricas, quando eleitos pelo "voto de protesto", costumam arrastar outros candidatos ruins da mesma coligação.

O Brasil possui diversos exemplos de candidatos escolhidos pelo "voto de protesto" que se mostraram sem atuação, por desconhecimento ou despreparo diante dos assuntos referentes à coisa pública ou que se ligaram a grupos de interesses para se beneficiar da posição política alcançada.

O sentimento íntimo de insatisfação é um dos mecanismos da Lei do Progresso, que impele o ser humano a buscar sempre o melhor. Quando estamos insatisfeitos, a atitude natural e sensata é encontrar formas de gerar bem-estar, ou seja, reformar o que não nos agrada. Mas o que se observa com o tal "voto de protesto" é a opção por alguém, reconhecido pelo próprio eleitor, como incapaz de mudar a realidade incômoda vivenciada, mas que é escolhido apenas por deboche, galhofa ou revolta, normalmente fruto da descrença de que qualquer outro candidato possa fazer algo capaz de melhorar a situação atual.

É muito difícil sabermos se os nossos escolhidos realmente irão cumprir com os compromissos assumidos, porém, é relativamente fácil perceber que alguns não têm condições de desempenhar funções públicas relevantes. Em outras palavras, não é tão simples identificar quem é bom, porém, evitando os preconceitos, muitos são nitidamente incapazes de assumir a tarefa a que se propõem. Para protestar e reformar o que não nos agrada, também precisamos usar o mínimo de bom senso e discernimento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A CONTRIBUIÇÃO DE CADA UM



O pessimismo que algumas pessoas apresentam em relação à política, costuma ser o resultado da forma como se olha para a realidade. Temos o péssimo hábito de ver somente o que falta ser feito, sem observar as conquistas alcançadas.

Ao analisar os índices estatísticos que retratam as características sócio-econômicas nacionais, detectamos importantes melhorias na qualidade de vida, nos últimos 50 anos. Diante de tais conquistas, temos que renovar nossas esperanças para que mais progressos possam ser alcançados, ao invés de, apenas, resmungar pelo que, ainda, não foi possível conseguir.

Esta semana começou a campanha política no rádio e na televisão, período no qual os candidatos tentarão mostrar sua parcela de contribuição para que conquistássemos os referidos resultados sócio-econômicos. No entanto, não devemos nos enganar com a idéia de que as melhorias obtidas foram obras de apenas um governo ou partido.

Sem negligenciar as contribuições dos políticos para os avanços demográficos nacionais, tais conquistas não seriam possíveis sem a adesão dos chamados “indivíduos comuns”, que não possuem cargos ou mandatos, mas resolveram fazer a sua parte para tornar melhor o lugar onde vivem.

Mesmo com a iniciativa de autoridades na formulação de políticas públicas, como esperar avanços em áreas fundamentais, como saúde e educação, por exemplo, sem a participação comprometida dos profissionais, mesmo com dificuldades salariais e falta de reconhecimento? Como esperar melhorias sem a interferência da família, estimulando a criança a estudar, levando-a para tomar vacina, alimentado-a e buscando todas as condições para protegê-la?

Da mesma forma, encontramos atuações positivas de empresários, operários, profissionais liberais, artistas, imprensa, funcionários públicos, missionários religiosos e instituições civis organizadas. São contribuições ativas e conscientes que procuram, ao mesmo tempo, melhorias individuais e coletivas.

Nesta campanha eleitoral, muitos políticos vão querer ser “o pai da criança”, ou seja, responsáveis exclusivos pelas conquistas alcançadas nos últimos anos, exigindo cuidado para que possamos discernir, sem paixões, a contribuição que porventura deram, daquelas que foram divididas entre os membros da coletividade.

Alguns políticos, certamente, colaboraram e continuarão colaborando com ações capazes de melhorar nossa realidade social, mas a contribuição otimista de cada indivíduo continuará sendo fundamental.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MUDAR O MUNDO OU MUDAR DE MUNDO?


A instrução espírita nos faz entender a condição terrestre de mundo de provas e expiações, onde ainda predomina o sofrimento, como consequência do mal praticado pelos seus habitantes. Ao mesmo tempo, nos faz contemplar o Universo e vislumbrar mundos onde a fraternidade e a felicidade prevalecem. Diante disto, cabe perguntar: até que ponto os relatos acerca de planetas felizes nos deixam desinteressados quanto aos nossos compromissos em relação à morada terrena?

Em diálogos com companheiros que fazem fileiras no Movimento Espírita, percebemos indicações de que seria um alívio encarnar em algum destes mundos felizes e se libertar de tantas mazelas encontradas na Terra: violência, corrupção, exploração e iniquidades. O que parece uma pretensão justa, pode se revelar mesclada de sentimentos egoístas, preocupada com o bem-estar próprio e indiferente ao sofrimento de quem ficaria atrás.

O entendimento espírita não se limita a oferecer metas individuais de felicidade e paz, esclarecendo-nos que estas conquistas ocorrem quando colaboramos para alcançá-las coletivamente. Assim, passar toda a encarnação se comportando de forma a conseguir a transferência para mundos regenerados parece muito pouco. No entanto, unir esforços para a melhoria do planeta onde a bondade divina nos alocou, colaborando para o bem comum, parece ser mais condizente com a Lei de Amor ensinada pelos benfeitores espirituais.

Agir para melhorar este planeta é fazer a nossa parte no cumprimento das obrigações, na reforma das leis e instituições, na participação ativa no meio social onde estamos inseridos, inclusive no aperfeiçoamento do comportamento político, para que seja mais fraterno e justo.

A campanha política está nas ruas, apresentando-se como mais uma oportunidade de realizarmos escolhas positivas para a coletividade. Mesmo que a poluição visual e sonora nos faça ter vontade de morar em outro planeta, precisamos entender a importância do momento atual. Negligenciar esta oportunidade de mudanças, como se nosso interesse estivesse em outro orbe, é uma atitude egoísta que não contribui para tornarmos o nosso “mundinho” um pouco melhor.

domingo, 1 de agosto de 2010

ARTE ESPÍRITA COMPROMETIDA COM O SOCIAL



As manifestações artísticas, inspiradas pelos ideais espíritas, têm amplas possibilidades de despertar o ser para os nobres valores transcendentais. A arte espírita educa, contribuindo para a reforma de condutas; consola, reforçando a compreensão sobre a justiça e o amor de Deus; alegra, renovando o ânimo e estimulando a confiança na Providência. Em meio a todos estes potenciais, encontramos a incipiente arte espírita que reflete sobre os conflitos e desafios para a construção de uma sociedade harmônica.

Através da arte, os espíritas expressam louvores, contam estórias que entretêm ao mesmo tempo em que provocam reflexões e, ainda, explicam conceitos doutrinários. Porém, além de tudo isto, a arte espírita comprometida com o social faz refletir sobre os desafios para a cidadania nacional e mundial, sugerindo relações fraternas entre os indivíduos com vistas à superação das desigualdades e conflitos, além de estimular comprometimento com o bem comum e a consciência ambiental.

Este compromisso social a que me refiro não pode ser confundido com partidarismo, nem com tendências interesseiras para atender a injustos e desproporcionais anseios de grupos ou indivíduos. A arte espírita engajada estimula a reflexão para uma conduta responsável dos cidadãos.

Um bom exemplo para ilustrar nossa reflexão é o grupo musical paranaense: Alma Sonora, que além de produzir um som sofisticado e versátil, nos faz olhar para os nossos desafios sociais. A música Bens da Terra traz o seguinte: “se os bens da Terra são de todos... Por que nem todos têm o que comer? Será que é prova ou é expiação, nem tudo se explica por aí”. Demonstra, assim, que existem assuntos para serem resolvidos com presteza, pois muitos irmãos sofrem com o nosso descaso.

Em outra música do álbum que leva o nome do grupo, eles indagam: "o que você faria com dois reais por dia? O que você faria sem a educação?" Refletem, assim, sobre os problemas sociais que vemos ao nosso redor, de modo a que a consciência espírita colabore na busca de soluções.

No trabalho seguinte, intitulado Segundo, o grupo Alma Sonora continua com os temas sociais. A música Homem Foguete questiona as contraditórias posições políticas estatais: "milhões de dólares pra guerra, milhões passando fome sem terra / Paradoxos da civilização / Será que um dia viveremos como irmãos? "

O conhecimento da vida do espírito, da lei de causa e efeito e das reencarnações amplia a nossa percepção quanto às responsabilidades que temos para a construção de um mundo melhor. Isto fica evidente na música Canção de Amor ao Planeja: "acreditar numa vida mais além / não quer dizer deixar o mundo / com suas mazelas, ilusões e fugir da luta... / quero um planeta melhor... para os meus filhos/ e para os de outros pais".

Este é apenas um exemplo, dentre muitos, que nos mostra como a arte espírita pode colaborar para o progresso humano, nos estimulando a alcançar a verdadeira civilização, onde o bem comum é a meta de todos os indivíduos. Vale a pena conhecer e divulgar a produção artística dos espíritas que nos trazem estas oportunas reflexões.


VÍDEO DA MÚSICA: CANÇÃO DE AMOR AO PLANETA (ALMA SONORA)

terça-feira, 20 de julho de 2010

COMPRAR VOTOS: VIOLENTAR CONSCIÊNCIAS



A atual e tão comum compra de votos é uma forma de criar dependência. De um controle absoluto da época da República Velha, representado pelo “voto de cabresto”, quando se obrigava a votar pelo uso da coação física, vive-se, atualmente, outra maneira de gerar submissão, pela opressão econômica: a compra de votos, que poderia muito bem ser entendida como compra de consciências. A Doutrina Espírita, pelo estímulo que promove à liberdade de conduta, contribui nesta reflexão como um importante recurso para gerar autonomia responsável nos indivíduos e resgatar a dignidade humana.

Percebemos, atualmente, grande movimentação de idéias em torno do tema compra de votos, inclusive com atuação intensiva dos órgãos jurisdicionais no combate a tal prática. A restrição de shows artísticos em comícios e a proibição da distribuição de brindes, como camisetas, foram importantes conquistas sociais. No entanto, temos que tomar cuidado com os enganos que podem ser cometidos na tentativa de libertar os eleitores da forte influência monetária de alguns candidatos ou grupos políticos.

Admitir receber dinheiro de um candidato em troca do voto já está começando a se tornar vergonhoso, ao ponto do corrompido não se sentir muito à vontade para declarar que se vendeu. Porém, muitos admitem que receberam o dinheiro e não votaram naqueles que lhes ofereciam suborno, como uma forma de se vingar de quem tentava manipulá-lo.

Essa conduta, muitas vezes anunciada como uma grande vantagem, não representa um avanço. Pelo contrário, demonstra malícia e falsidade, pois ao receber o dinheiro, incorre o indivíduo em, pelo menos, dois delitos morais, passíveis de serem alcançados pela lei humana: o primeiro é o de realizar, mesmo que tacitamente, um acordo inescrupuloso, o segundo é o de se apossar de um recurso adquirido de maneira injusta.

O que se espera do cristão esclarecido pela luz espírita é que não receba nenhum recurso de origem execrável, pois é dinheiro “sujo”, desviado, geralmente, de alguma atividade importante para a coletividade e que está sendo usado para propósitos nefastos. A decisão quanto ao voto deve ser um ato espontâneo e consciente dos cidadãos de bem e esclarecidos, que já perceberam que os seus atos geram consequências para os demais indivíduos. Desta forma, muito mais do que se vangloriar de ter recebido dinheiro sem ter votado, poderemos ter a íntima satisfação de nem ter sujado as mãos ao receber recursos indignos.

domingo, 11 de julho de 2010

O ÓBOLO DO ELEITOR



De que forma podemos tornar melhor a sociedade onde vivemos? No capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec nos dá uma indicação: “aquele que quer sinceramente se tornar útil aos seus irmãos, para isso encontra mil ocasiões; que as procure e as encontrará”. O alerta é oportuno para os que somente lamentam a sujeira na política, convidando-nos a fazer alguma coisa para torná-la melhor.

A reflexão acima serve especialmente para os eleitores sem envolvimento com condutas clientelistas de troca de favores, que desejam uma política mais limpa, porém, sentem-se sem esperanças de que melhore. Para que nossa realidade se transforme, temos que utilizar bem e confiar no nosso instrumento de participação: o voto. Mas parece tão pouco, tão sem importância um voto, diante de tanto dinheiro despejado na captação ilícita de sufrágio.

Quando acharmos que nossa participação sincera e desinteressada for pequena, que nosso único e simples voto não vale muita coisa, lembremo-nos da viúva defronte do gazofilácio (Mc XII,41 a 44), depositando seus parcos recursos no templo da sua fé em louvor ao Criador. Aquela mulher simples deixou não só duas moedas, mas deu uma lição inestimável à humanidade, sendo destacada pelo Mestre Jesus como a que tinha oferecido a maior contribuição entre os que apresentavam oferendas.

Quantos de nós dizemos: “queria ter muito dinheiro para entrar na disputa política e botar para correr toda esta corja de políticos sujos e incompetentes”, porém, se não temos os recursos financeiros ficamos inativos e rabugentos, isso quando não nos deixamos levar pela correnteza dos interesses passageiros.

A nossa democracia nos faculta o voto, que, para alguns, parece um recurso muito pequeno, mas é uma das formas que temos para participar. Se esta participação for ética, responsável e consciente, certamente ela terá imenso valor no meio coletivo, muito além de nossa percepção, como foi a contribuição da viúva que depositou sua oferenda no gazofilácio.

É claro que outros têm mais força, recursos e conhecimentos para fazer um pouco mais, além do seu próprio voto. Seja em campanhas educativas, seja na participação em instituições fiscalizadoras, seja na divulgação de fatos relevantes ou qualquer outro meio, o bem e a justiça esperam a colaboração dos que podem dar sua oferenda.

Por menor que pareça nossa contribuição, se esta for motivada por sentimentos de fraternidade e esperança, certamente ela será somada a muitas outras que surgem com propósitos semelhantes e, mais cedo ou mais tarde a política se tornará melhor. O valor desta participação consciente e responsável, aparentemente pequeno, é expressivo e possibilita caminhar na direção do bem mais valioso: a consciência tranquila.

domingo, 4 de julho de 2010

SUPULCROS CAIADOS NA POLÍTICA


Esta semana começa a campanha eleitoral autorizada pela justiça, quando os candidatos terão a oportunidade de nos mostrar que são os melhores e os mais preparados para assumir os cargos pretendidos.

Um professor me disse, certa vez, que não sabia em quem votar, pois todos os candidato são bons. Referia-se ele, ironicamente, às técnicas de propaganda que são utilizadas, em muitas oportunidades, de modo a esconder as limitações dos concorrentes e destacar somente seus pontos positivos. Mais grave ainda é quando ocorre a montagem de uma personalidade completamente diferente da realidade comportamental do candidato, que elabora uma farsa na tentativa de ludibriar o eleitor. São como sepulcros caiados, limpos por fora e cheios de podridão por dentro.

Sorrisos fartos, beijos em crianças, abraços em "populares", são algumas das condutas, muitas vezes hipócritas, usadas para conquistar votos. Além disso, o material de divulgação deve ser impecável e diversificado. Muita maquiagem e recursos de informática são utilizados para corrigir “imperfeições” nas imagens, comparadas a verdadeiras máscaras para esconder tendências íntimas.

Nos debates, os que optam pelo fingimento, agem metodicamente após exaustivos treinos e orientações precisas de estudiosos do comportamento humano. Evitam falar em temas polêmicos para não desagradar parcelas do eleitorado e de medidas enérgicas que possam tomar para "tentar" resolver os problemas sociais.

Sem questionar a capacidade de sedução dos profissionais da propaganda, grande parte do eleitorado é presa fácil destas armadilhas, pois ainda é muito influenciada pela aparência e não toma as precauções necessárias para aprofundar o conhecimento sobre o pretendente a cargo eletivo. O desinteresse em pesquisar um pouco mais sobre o candidato indica tendências egoístas de alguns eleitores, pois a negligência é falta de compromisso com o coletivo.

Neste mundo de provas e expiações quase todos usamos alguma máscara e escondemos intenções e pensamentos que nos envergonhariam ou dificultariam alcançar uma pretensão. Com o uso da hipocrisia, muitos preferem apenas parecer ao invés de ser, de modo a conseguir, em troca, aceitação, admiração ou inveja, recompensas passageiras que se esvaem com o corpo físico, ou mesmo antes da desencarnação, quando caem as máscaras.

O homem e a mulher de bem têm necessidade da auto-educação para se tornarem autênticos, em nome do progresso individual e coletivo, mesmo que não agrade a todos, mas que possibilite andar de cabeça erguida e conquistar a paz interior.

Por causa das técnicas de manipulação e marketing não temos como ter absoluta convicção se um candidato é, autenticamente, bom. A única certeza que podemos ter é se votaremos com a melhor das intensões: o bem comum. Desta forma, a lei de causa e efeito atuará, fazendo o bem sair do bem. Assim, escolheremos bons representantes ou, pelo menos, ficaremos de consciência tranquila por estarmos fazendo a nossa parte.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

DESAPEGO NA POLÍTICA: GRANDE DESAFIO




Semana passada ouvi uma frase mais ou menos assim: “quem prega o desapego aos bens materiais nunca fez compras na Champs-Élysées de Paris, nem andou de Ferrari, muito menos fez um cruzeiro pelo Caribe”. Realmente, bens materiais luxuosos fascinam os indivíduos que podem desfrutar deles.

Em geral, os cargos públicos permitem usufruir, de forma ampla, destas situações prazerosas para os sentidos, seja pela facilidade de acesso, através de presentes, convites e cortesias; seja através dos recursos financeiros e benefícios à disposição dos eleitos. Isto faz lembrar a passagem evangélica que mostra como é difícil o desapego à matéria: “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”(Mt. 19,24)

Um fenômeno sombrio se repete nos bastidores da política, em virtude das convenções: a troca de apoio político por dinheiro, muito dinheiro. Mesmo aqueles que ingressam na política com boas intenções podem ficar deslumbrados pelo brilho do ouro, arriscando vender a própria consciência para usufruir dos bens, prazeres e luxos materiais.

O indivíduo precisa ser muito forte para não aderir às práticas inescrupulosas após experimentar dos prazeres que costumam acompanhar os cargos públicos. Tomando o exemplo de um deputado federal, incluindo o custo do salário, verba de gabinete, combustível, passagens aéreas, auxílio alimentação e demais recursos para a manutenção da função, são pagos mais de 115 mil reais por mês a cada parlamentar, sem contar com o que “entra por fora”, para os mais gananciosos. Diante deste montante, os indivíduos ficam hipnotizados pelos benefícios pessoais que estes valores podem proporcionar.

Entendo que não seria possível, no atual estágio evolutivo, exigir dos interessados a um cargo público que abdiquem da remuneração financeira. Seria difícil para um profissional liberal, um empresário, um acadêmico, um líder comunitário ou um sindicalista renunciar uma renda para servir à comunidade. A manutenção de sua família e o seu interesse pessoal estariam prejudicados excessivamente.

Da mesma forma, são necessárias algumas prerrogativas para o bom desempenho da função: viagens, telefonemas, assessores, veículos, entre outros. No entanto, os valores envolvidos parecem muito acima do razoável, o que estimula o apego a estas “vantagens” e aos recursos financeiros. Muitas pessoas, claramente, permanecem nos cargos para não perder tais “benefícios”, pois se afeiçoam aos recursos materiais disponíveis e, dificilmente, se interessam em permitir que outros ocupem o seu lugar para também dar uma contribuição à vida coletiva.

Estas reflexões são para que nós possamos nos esforçar em doar nossas preces fervorosas aos pretensos ocupantes de cargos públicos, para que tenham força de resistir ao apego exagerado pelo ouro e que consigam ser capazes de agir em proveito do bem comum, pois não é fácil o desprendimento aos bens materiais. Nossas preces, certamente, podem colaborar para que estes irmãos vislumbrem a realidade permanente do espírito e resistam às tentações dos prazeres passageiros.

DIVALDO - NEGLIGÊNCIA GOVERNAMENTAL E AS CATÁSTROFES

Em entrevista ao programa Transição, na Rede TV, Divaldo Franco analisou a responsabilidade dos indivíduos e, em especial, dos governantes negligentes perante as catástrofes que poderiam ser evitadas.

Vídeo de 5 minutos.

sábado, 12 de junho de 2010

NEGOCIAÇÕES E NEGOCIATAS


A política é a arte da negociação, onde se usa o poder de persuasão para fazer prevalecer uma conduta. Negociar é algo legítimo e necessário na política, onde deveríamos esperar o mínimo de bom-senso e ponderação das partes envolvidas, para que o resultado seja o melhor possível. Exige esforço, perspicácia, conhecimento, paciência e sabedoria para se alcançar o bem comum.

A política brasileira, no entanto, é pródiga em negociatas, onde se busca o proveito individual ou grupal, em detrimento do interesse coletivo. Daí surgem os conchavos, os esquemas, as tramóias, as maracutáias e barganhas, onde o que mais vale é conseguir o máximo de vantagem possível, com a ampliação do patrimônio material e o reforço dos recursos financeiros.

Muito dinheiro circula em consequência destas negociatas, movido pelo que há de pior no ser humano: inveja, maledicência, insensatez, cinismo, traição, vaidade e ganância, o que nos faz lembrar o alerta de Jesus: “guardai-vos de toda ganância, pois em qualquer abundância que o homem esteja, sua vida não depende dos bens que ele possua” (Lc, XII, 15).

Todos têm seu preço nas negociações políticas, porém este nem sempre precisa ser medido em dinheiro. O que se pretende trocar pelo voto ou apoio pode ter o valor da consciência tranqüila: trabalho, compromisso, responsabilidade, dedicação, compaixão e honestidade. Estas virtudes não são muito comuns na atual conjuntura brasileira, tanto que, se Diógenes de Sínope continuasse com sua lanterna à procura de uma pessoa com tais qualidades, sentiria dificuldade de encontrá-la, mesmo centenas de anos após sua encarnação na Grécia.

Lamentar a falta de honestidade nas negociações políticas chega a ser constrangedor. As pessoas riem e debocham de quem demonstra uma sincera indignação, tanto que continuam atuais as palavras de Rui Barbosa, proferidas em 1914: “(...)de tanto ver crescer a injustiça (...) o homem chega a ter vergonha de ser honesto”.

Aqueles que têm fé no futuro, no amor e no bem não podem deixar o desânimo dominar suas mentes, por mais difícil que isto seja. A mensagem do Evangelho faz recordar de Zaqueu, que se aproveitou, gananciosamente, de sua posição de destaque, prejudicando os demais. No entanto, ao ser defrontado com a meiguice de Jesus, descobriu os valores imperecíveis da Boa Nova e passou a investir para conquistá-los. Algum dia esta transformação irá acontecer no nosso meio político e as negociações ocorrerão distantes do lamaçal da ganância, “porque o Filho do homem veio para procurar e para salvar o que estava perdido” (Lc, XIX, 10).

domingo, 6 de junho de 2010

IDÉIAS DIVERGENTES



Dentre outros conceitos, a política pode ser entendida, de modo geral, como a disputa de interesses. Em virtude disso, a prática política dificilmente ocorre sem o desacordo de propósitos. Saber conviver com as divergências é fundamental para a construção de uma política responsável e proveitosa. A Doutrina Espírita também tem importantes contribuições neste aspecto.

Em primeiro lugar, temos que destacar o exemplo de Kardec no contato com os opositores do Espiritismo, que eram sempre tratados com respeito e tolerância. O mestre de Lion nos deixou o entendimento de que as idéias espíritas são “aceitas por convicção e não por constrangimento”. Dessa maneira, nos estimulou a usar métodos de convencimento, sem agredir ou causar coação àqueles que divergem de nosso pensamento, ao mesmo tempo em que devemos possibilitar a manifestação de idéias contrárias, em respeito à liberdade de conduta.

Outro grande exemplo que temos é dos benfeitores espirituais mais esclarecidos. Quanto mais moralizado e sábio for o espírito, mais suaves e convincentes são suas palavras. Os espíritos bons agem com a força da brandura para expor uma idéia ou dar uma instrução. Assim, lamentam, mas entendem que muitas de nossas decisões são resultantes da pouca experiência ou de vícios que provocam consequências desastrosas.

E o maior de todos os exemplos temos em Jesus, que encontrou uma feroz oposição às suas idéias, pois estas tinham condições de provocar grandes mudanças no organismo social onde estava inserido. Sem ofender seus opositores, o Mestre Maior mantinha-se firme em suas convicções e propósitos, sofrendo, em contrapartida, toda espécie de infâmia. Mas seus ideais se mantêm firmes e são a base de toda sociedade que pretenda ser justa e próspera.

Os espíritas deveriam estar habituados ao respeito e tolerância pelas idéias divergentes, incluindo as que surgem com a política, onde é comum a ocorrência de grupos de apoio e de oposição aos ocupantes momentâneos dos cargos públicos. Se seguirmos os exemplos apontados acima, a relação com os que divergem de nosso pensamento será mais serena, pacífica e tolerante, sem deixar, por isso, de nos mantermos firmes, decididos e convictos quanto aos ideais que abraçamos.

Sejamos situação ou oposição no debate político, sempre podemos manifestar nossas idéias com respeito e de modo pacífico, se temos fé na verdade e no futuro. Porém, quando nossas opiniões decorrem de interesses egoístas ou materialistas, a sua manifestação costuma ocorrer com imposições e violências, gerando profundo desequilíbrio no organismo social, dificultando o progresso e o bem estar coletivo.

As oposições são manifestações naturais na humanidade, formada por espíritos com graus diferentes de experiência e percepção da realidade. O contato com opiniões antagônicas possibilita o crescimento e aperfeiçoamento dos seus defensores, na busca da verdade e da melhor forma de executar uma tarefa. As idéias divergentes vão continuar existindo, porém, se nosso interesse maior for o bem comum, encontraremos um caminho que poderá trazer bons resultados para os lados diferentes da contenda.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

MOVIMENTO ESPÍRITA E DEMOCRACIA



O entendimento acerca da democracia evoluiu muito ao longo da história humana, porém, uma das partes fundamentais do seu conceito prevalece e se refere à liberdade de conduta e de decisão do indivíduo, ao mesmo tempo em que se respeita o livre arbítrio dos demais componentes do grupo social. Esta postura se adéqua à compreensão espírita da liberdade como uma lei moral natural, que se caracteriza pela livre escolha que possuímos para decidir os vários aspectos de nossas vidas, limitada à responsabilidade que temos pelo bem estar do próximo.

A compreensão da Lei de Liberdade favorece a democracia no meio espírita, cujas instituições costumam ser respeitosas quanto às diferenças e possibilitam a ampla participação dos interessados no desenvolvimento de suas atividades. As casas espíritas costumam ser ambientes onde se estimula a responsabilidade individual, onde não há hierarquia e ainda se valoriza alguém pela sua sabedoria e moralidade, independente de origem social ou classe econômica. Em um ambiente assim é difícil a ocorrência de imposições arbitrárias e antidemocráticas de um indivíduo sobre os demais.

No entanto, o que vemos em muitas instituições espíritas são fortes práticas autoritárias, como na figura dos “donos” de centros espíritas, que impedem eleições internas porque “doaram” o terreno, pagaram pela construção da sede ou algo semelhante. Vemos ainda os médiuns vaidosos, os quais se colocam como o foco das decisões. Nada pode ser feito sem consultá-los, pois através deles os “guias” da casa se manifestam. Encontramos também os pretensos “mentores espirituais”, cujo dirigismo controla cada ação do grupo. Em muitos lugares não se muda uma cadeira de lugar sem antes perguntar ao tal “mentor”.

Além disso, ainda temos muitos companheiros de ideal que se afastam dos centros e do movimento espírita porque não têm as suas ideais aceitas. Dão a entender que em outras encarnações usavam da força para fazer prevalecer suas vontades. Não encontrando condições para promover imposições e recusando ser minoria, abandonam a tarefa sem perceber que o importante é se colocar à disposição do serviço, mesmo que suas propostas não sejam aceitas pela maioria do grupo. Deveriam saber que enquanto trabalham e esperam, a verdade encontra meios para se consolidar e que a deserção da tarefa não favorece a ninguém, nem a eles mesmos.

As instituições espíritas participativas, tolerantes e plurais se tornam importantes escolas para muitos aspectos da vida, inclusive por possibilitar um proveitoso exercício de democracia para que os seus membros saibam se conduzir de forma ativa e respeitosa no meio coletivo. Os participantes destes grupos são estimulados a contribuir, responsavelmente, junto às organizações sociais e, como não poderia deixar de ser, no processo de escolha e fiscalização dos dirigentes políticos.

domingo, 23 de maio de 2010

SABER JULGAR



A passagem evangélica do “não julgueis” é uma importante advertência quanto à forma como olhamos o comportamento das outras pessoas. A recomendação de Jesus não é de que fechemos os olhos para os erros praticados pelos semelhantes, porém, esclarece que a força de nossas censuras no combate ao mal está ligada à capacidade de não repetirmos a conduta que condenamos. Diante disso, pelo bem do interesse coletivo, podemos afastar dos cargos públicos aqueles que julgarmos sem condições de nos representar.

Escolher um representante político é fazer um julgamento. É recomendável ponderarmos os prós e contras, a postura perante a família, a experiência política, as propostas de ação, a vida pregressa e, inclusive, a “ficha criminal”, para saber se é limpa ou suja e, só então, escolher o que considerarmos melhor. A questão que precisa ser respondida é: estamos preparados para fazer este julgamento?

Nós somos ágeis em condenar aquelas práticas escandalosas dos políticos: desvio de verbas, favorecimentos, fraude em licitações, compra de votos, abuso do poder e muito mais. No entanto, em nosso dia-a-dia cometemos desvios que também são nocivos, intitulados eufemisticamente de “jeitinho brasileiro”: estacionar em fila dupla ou em vaga de cadeirante, passar uma “propina”, furar fila, sonegar tributo, ficar com o troco a mais, entre tantos outros. Estes comportamentos reduzem nossa força para mudar a corrupta realidade política brasileira.

Alguém pode pensar que não podemos comparar o gesto de um cidadão comum com a conduta desleal de um político. Claro que precisamos respeitar as proporções, pois enquanto um prejudica poucos, o outro promove sua ação devastadora em uma dimensão bem maior. Porém, o móvel de ambos é o mesmo: o ato de pensar em si sem se preocupar com os demais, o egoísmo. É o cidadão comum do “jeitinho brasileiro” que quer julgar os atos dos políticos? É o cidadão comum que diz: “se fosse eu também roubaria um pouco”, que quer condenar os políticos?

Pensando no melhor para a comunidade onde a providência divina nos inseriu, nós podemos e devemos fazer uma boa escolha, um bom julgamento. É necessário não admitir que os “ficha suja” permaneçam em funções que interferem na vida de todos e que afetam, especialmente, a população mais vulnerável. Para isto acontecer, precisamos fazer nossa reforma moral e expurgarmos de nosso comportamento, as práticas danosas inspiradas pelo egoísmo. Quanto mais rápida for a nossa mudança, mais rapidamente colheremos os bons resultados, inclusive o de sabermos julgar quem está em condições de assumir funções tão importantes para nossa população.

Em favor dos chamados “ficha suja”, ainda nos resta o dever da piedade, rogando à bondade divina a força para que se arrependam do mal praticado e, certamente, a justiça universal dará novas oportunidades, seja nesta ou em outra existência, para que reparem todo o prejuízo que causaram.

domingo, 16 de maio de 2010

OS ESPÍRITAS EM ANO DE COPA E ELEIÇÃO



No dia da publicação deste artigo faltam 26 dias para a Copa do Mundo de Futebol da África do Sul. Neste momento, a maior parte da nossa atenção já está voltada para os “gladiadores” de uniforme amarelo, sobre os quais são depositadas tantas esperanças.

É impressionante ver a mobilização em torno da Copa do Mundo. Quase todas as propagandas de televisão remetem ao tema. Nas discussões entre amigos, colegas de trabalho, estudantes, nos ponto de ônibus, nas recepções de consultórios, nos noticiários, esse é o assunto predominante. Claro que entre nós, espíritas, o interesse não é menor.

Como é bom ver o Brasil se destacando no cenário mundial, sendo referência. Como é bom quando o time brasileiro chega à vitória e a nossa auto-estima alcança os cumes da satisfação, pelo sentimento de nacionalidade. Claro que nós, espíritas brasileiros, também vibramos, torcemos e nos emocionamos como quase todo compatriota e esperamos o hexacampeonato para o Brasil. Já dá para imaginar as ruas coloridas e decoradas, as carreatas e as bandeiras expressando o nosso amor pela pátria amada.

No dia da publicação deste artigo faltam 141 dias para as Eleições 2010. Será a maior eleição informatizada do mundo, com cerca de 130 milhões de eleitores, que escolherão 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1059 deputados estaduais e 1 presidente da república. Entretanto, apesar de ser um acontecimento de grande importância para a organização social, que irá interferir bastante nas condições de vida da população, os brasileiros não se preocupam tanto com o tema, se comparado à Copa do Mundo, inclusive nós, espíritas.

Como será bom, quando estivermos comprometidos com o nosso sentimento de amor pela nação que nos acolhe e encararmos as eleições com mais seriedade e responsabilidade, para que possamos alcançar vitórias muito mais expressivas que um campeonato de futebol: conquistas na educação, na saúde, na preservação ambiental, no lazer, no apoio à população carente e em tantos outros desafios que precisamos enfrentar.

Nesta tarefa, o Espiritismo pode nos dá uma grande ajuda na formação da seleção que fará a nossa sociedade melhor. Para nos defender dos ataques do mal, escalamos a fé em Deus. Na zaga colocamos o perdão e a mansuetude. Nas laterais selecionamos o bom senso e a indulgência. No meio-de-campo é imprescindível a instrução, a razão, além da paciência e a esperança no futuro. Para o ataque não podem faltar os maiores artilheiros: a humildade e o amor.

Com esta seleção, que tem à frente da comissão técnica o professor Jesus Cristo, teremos muitas vitórias a comemorar, em especial contra os adversários mais difíceis: o materialismo, o individualismo e a negligência.

domingo, 9 de maio de 2010

INFLUÊNCIA POLÍTICA ESPÍRITA



Muita gente ainda acha estranho a relação que defendemos entre Espiritismo e política, considerando incompatíveis os dois assuntos, seja por descrença quanto à prática político-partidária, seja por temer uma manipulação interesseira, promovida por supostos “líderes” espíritas, no processo eleitoral, entre outros motivos.

No entanto, desejamos demonstrar que o modo de pensar espírita, que admite a reencarnação, a vida espiritual e sua relação com o mundo corpóreo, a lei de causa e efeito e a supremacia da moral cristã, contribui para disciplinar e orientar a conduta humana nos mais variados aspectos da vida, inclusive no relacionamento com o Estado e as instituições públicas.

Dessa forma, a prática dos adeptos do Espiritismo, como um movimento social livre e legítimo, pode interferir na conduta dos cidadãos e na dos nossos representantes políticos. O mais expressivo exemplo do que está sendo mencionado aqui é a Campanha Nacional Brasil Sem Aborto, da qual o Movimento Espírita participa aberta e intensamente.

Partindo de premissas filosófico-morais, como a da pré-existência dos espíritos, do planejamento reencarnatório e da solidariedade universal com vistas à evolução dos seres, os espíritas se posicionam de modo firme na recusa ao aborto, com exceção no caso de perigo de vida para a mãe*. Porém, o movimento espírita, juntamente com outras correntes de pensamento, não se limita a rejeitar a legalização do aborto, mas atua fortemente junto aos órgãos públicos e os representantes políticos para que este posicionamento seja um compromisso estatal.

Ao participar de abaixo-assinados, passeatas, manifestações públicas, debates em órgãos legislativos, audiências com representantes políticos, entre outras ações, os membros do Movimento Espírita agem como grupo de pressão política, com possibilidades de influir na elaboração de leis e de programas administrativos.

Dessa maneira, o Movimento Espírita, através de entidades como a Federação Espírita Brasileira e a Associação Médico Espírita, se contrapõe ao pensamento de vários grupos que apóiam o aborto. Esta oposição se dá, apenas, no campo das idéias, como fazia Kardec, de forma pacífica e não passiva. O grupo que apresentar os melhores argumentos, que possuir maior alcance social e, inclusive, trabalhar pela eleição dos representantes de suas idéias, obterá, junto ao Estado, os resultados almejados.

Fica claro, assim, que o Espiritismo pode interferir positivamente nas escolhas políticas dos espíritas, que devem ser coerentes com a doutrina que professam. A campanha pela rejeição ao aborto é uma etapa. Muito há que ser trabalhado, em parceria com outros movimentos sociais, filosóficos, religiosos, científicos, em defesa da vida, do meio-ambiente, da tolerância entre as culturas, da melhoria da educação e de tudo o mais que puder tornar o nosso mundo e o nosso país um lugar melhor.



OBS.: Para aprofundar este tema, pode ser consultada a obra ESPIRITISMO E FORMAÇÃO POLÍTICA, de Paulo R. Santos. Agradeço ao Raul Ventura por ter me presenteado com o texto.

* Questão 359 de O Livro dos Espíritos

sábado, 1 de maio de 2010

JESUS E A QUESTÃO DOS PRIVILÉGIOS



Quem conhece e convive no ambiente político sabe que o pensamento mais comum no meio ainda é o de buscar “se dar bem”, ou seja, conseguir todos os tipos de vantagens e privilégios para si, seus familiares, amigos e aliados, indiferentes ao interesse coletivo. A partir desta constatação podemos perceber o quão distante ainda estamos de aplicar os conceitos cristãos na sua plenitude, que, como decorrência da lei de justiça, amor e caridade, rejeitam qualquer tipo de privilégio.

Jesus deixou claro que toda posição de destaque, longe de constituir um privilégio, é uma grande responsabilidade, para que seja alcançado o bem comum, como vemos em Mt, XX,26: “quem quiser ser o maior, seja servidor”. Aquela lição foi ministrada quando a mãe dos apóstolos João e Tiago pediu privilégios, no Reino dos Céus, para seus filhos. Diante daquele pedido, Jesus esclareceu que a posição de cada um é resultado do mérito pessoal, evidenciado na capacidade de se doar ao semelhante, sacrificando-se, de algum modo, em proveito do próximo.

Mas, talvez a lição mais emblemática do Mestre, que mostra a incompatibilidade de privilégios com a Lei de Deus, está na passagem em que Jesus falava ao povo e os seus familiares vieram ao seu encontro, quando alguém disse: tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te, ao que ele responde: quem é minha mãe e meus irmãos? E complementa: todos os que fazem a vontade do Pai celeste são minha mãe e meus irmãos (Mt. XII, 46 a 49).

O acesso ao Mestre não dependia de laços consangüíneos, mas de afinidade com os ideais do Evangelho. Não importava tanto a ligação genética, mas a ligação moral era e é fundamental. A compreensão daquela lição pode ser entendida,ainda, como um manifesto contra privilégios, como o nepotismo e a concessão de vantagens indevidas a grupos ou pessoas. O Mestre nos mostra que não devemos cuidar, apenas, de nossos familiares e amigos, mas de toda a família humana, no limite do nosso alcance.

Isso não quer dizer que as pessoas da família de Jesus não tinham compromisso com os seus ideais, pois, como sabemos, Maria, a sua mãe, expressava a ternura e a meiguice ensinadas pelo seu filho. O fato de ser familiar não lhe trouxe privilégios injustos. O destaque de Maria na história terrena não está no fato de ser parente de Jesus, mas no seu compromisso pessoal de vivenciar a Lei de Deus.

Diante disso, podemos conceber que um parente ou um amigo de um político tenham condições de assumir uma posição de destaque pela sua capacidade, responsabilidade, competência e interesse pelo bem comum. No entanto, como esta conduta é algo bastante raro, bem fez a justiça brasileira ao proibir o nepotismo, para tentar evitar vantagens indevidas e concentração de poder excessiva, fato incompatível com a democracia e com a lei de amor.



ATENÇÃO, ATENÇÃO: O prazo para alistamento ou transferência de título de eleitor vai até quarta-feira (05 de maio). Cuidado para não perder a oportunidade de participar da maior eleição da história do país e, dessa forma, contribuir para tornar o Brasil um lugar melhor.

domingo, 25 de abril de 2010

DAI A CÉSAR SERVINDO A DEUS



A máxima do “Dai a César o que é de César”, é um convite ao cumprimento zeloso de nossos deveres, incluindo as obrigações que temos perante as autoridades e a sociedade.

O verbo “dar” nos conduz à reflexão de Francisco de Assis: “é dando que se recebe”, indicando-nos a certeza da lei de causa e efeito, a qual estabelece que enfrentamos as consequências de nossa conduta, ou seja, colhemos o que plantamos. Mas o que estamos dando a César (instituições e autoridades constituídas)? Em outras palavras, de que modo agimos em relação aos órgãos estatais e pessoas que dirigem nossa sociedade? E também aqui, a colheita é resultado do que se planta.

Quando o que temos para dar a César é a fraude, como ocorre com a sonegação de impostos, comprometemos o funcionamento do Estado e a sua capacidade de suprir as necessidades sociais. Agindo assim, ainda “autorizamos” os agentes políticos a buscarem a vantagem indevida. Outra consequência é a atitude anti-caridosa de sobrecarregar aqueles que fazem sua parte, submetendo-os ao peso de sustentar a estrutura governamental.

Quando damos a indiferença a César, sem fiscalizarmos e acompanharmos a conduta dos agentes públicos, sem emitirmos opiniões ou oferecermos propostas, recebemos, pela lei do retorno, um Estado desorganizado e ineficiente. Atualmente é muito fácil participarmos de grupos sociais que contribuam para a organização estatal: sindicatos, associações de moradores, entidades filantrópicas como o Centro Espírita, que podem fazer parte de congressos ou conselhos, propor audiências públicas, fazer abaixo-assinado, realizar manifestações ou qualquer outra forma de não ser omisso.

Quando damos a César a crítica revoltada e infrutífera, criamos atritos e desentendimentos. Dessa forma, colaboramos para o distanciamento entre irmãos e a desarmonia social. Indignação sadia e desejo profundo de mudança podem ser vividos com diálogos sensatos e responsáveis, porém, a força capaz de transformações mais consistentes decorre de uma conduta digna, a exemplo do que fizeram Ghandi, Martin Luther King e o maior de todos os mestres: Jesus.

Alguns de nós oferecemos a César a ambição controladora, o apego ao poder, o desejo por facilidades e privilégios, movidos pela ânsia de satisfazer os impulsos materiais e egoístas. O resultado é a insatisfação generalizada, a rivalidade doentia, a possibilidade de traição e a descrença quanto à conduta dos dirigentes.

A Doutrina Espírita nos clareia as mentes para que possamos dar a César a nossa participação consciente e responsável (a começar pela escolha de nossos representantes). Também somos instados a realizar a fiscalização firme dos agentes públicos, a oração piedosa em favor dos escolhidos para ocuparem cargos de decisão e a cumprirmos fielmente os nossos compromissos cotidianos frente às organizações públicas. Dessa forma, será inevitável uma sociedade melhor para nós, pois quando agimos em favor de todos, estamos servindo a Deus.

domingo, 18 de abril de 2010

PARTIDARISMO NO CENTRO ESPÍRITA: SUTILEZAS


Em um grupo espírita sério, a prática político-partidária ostensiva é uma grande aberração. É difícil até imaginar que as cenas a seguir possam ocorrer: o dirigente conduzindo um candidato a tiracolo, apresentando aos membros do grupo como seu escolhido e pedindo voto; permitir que seja colocado cartaz de campanha no mural do centro espírita; oferecer oportunidade para que o candidato se pronuncie na tribuna e peça apoio de todos; aceitar que o político divulgue que é o candidato do centro espírita.

Tais práticas absurdas seriam rechaçadas pela maioria dos espíritas, pois as formas como ocorrem as disputas político-partidárias destoam dos ideais espíritas de solidariedade, tolerância e da busca pela harmonia entre os indivíduos. No entanto, o partidarismo pode estar presente nas casas espíritas de forma sutil, a comprometer o seu funcionamento ou a sua credibilidade. É importante ficarmos atentos a essas sutilezas.

1. APOIO PARA AS ATIVIDADES DO CENTRO EM TROCA DE PROPAGANDA – É muito comum o Centro Espírita procurar a comunidade para apoiar suas atividades (encontros, seminários, feiras...) e quando consegue a contribuição de empresas, por exemplo, retribui com a propaganda em panfletos, camisetas e cartazes do evento. Pode ocorrer que um político ofereça apoio em troca da mesma divulgação, o que evidenciaria uma ligação entre o candidato e a instituição espírita. O mais sensato é não procurar os políticos e se estes oferecerem alguma contribuição, esclarecê-los que somente poderiam aceitar se não fosse em troca de divulgação do seu nome.

2. PALESTRANTES CANDIDATOS – A partir do momento que confirma sua candidatura a um cargo eletivo, o mais sensato é que o próprio palestrante abdique, durante a campanha, de usar a tribuna, mesmo que não aborde temas da política. Se não for por iniciativa pessoal, a direção deve cuidar em afastá-lo, para não gerar a vinculação de sua prática partidária com as atividades do centro.

3. “PANELIHAS” E GRUPOS ISOLADOS – Cuidar para que a formação de grupos não seja fundada em critérios políticos estranhos às propostas espíritas, pois esta prática cria dissensões e desagrega o conjunto, enfraquecendo as atividades da casa espírita, podendo provocar a sua própria dissolução, em virtude das intrigas internas que gera. Esta preocupação é maior nas casas espíritas de cidades pequenas, onde qualquer coisa vira disputa partidária.

4. ESPÍRITA CANDIDATO QUE AUMENTA SUA FREQUÊNCIA AO CENTRO – Após se candidatar, o parceiro de ideal frequenta mais intensamente a casa espírita, onde aparece mais sorridente, atuando em atividades que antes não participava e, ainda que não fale de política, demonstra mais cuidado com as pessoas. Esta preocupação pode indicar interesses obscuros disfarçados em atenção ao semelhante.

5. DIRIGENTES E MEMBROS DO GRUPO PEDINDO VOTO FORA DO CENTRO – Mesmo que fora da instituição, os membros das casas espíritas e seus dirigentes precisam tomar muito cuidado ao fazer campanha partidária, pois os seus pedidos de voto podem parecer uma troca de favores por um benefício recebido, contradizendo a máxima do "dai de graça".

Muitos cuidados devem ser tomados pelos centros espíritas para que a política partidária não gere atritos ou alguma forma de manipulação. Devemos agir com bom senso para não comprometer os nobres ideais espíritas com interesses passageiros e gananciosos.




Observação: sugiro a leitura do capítulo 10 do livro Conduta Espírita (André Luiz, através de Waldo Vieira, publicado pela FEB), com o título Nos Embates Políticos.

sábado, 10 de abril de 2010

OS DESAFIOS DO BOM POLÍTICO



Nem o Mestre Jesus aceitou a qualificação de bom, nos assegurando que só Deus é bom (Mt. 19,16). Como poderemos, então, fazer associação entre o adjetivo bom e a “indigna” figura do político?

Se não existem homens e mulheres puros na Terra, existem, pelo menos, homens e mulheres de bem, que são aqueles cumpridores dos seus deveres, amorosos e justos, que têm fé em Deus e no futuro, são tolerantes e humildes, agem moderadamente e preocupam-se com o bem comum, dentre outras qualidades.

Uma pessoa de bem, mesmo que raramente encontrada, pode ter interesse pela política? Deveria, pois a política estatal possibilita organizar e administrar as instituições públicas, sendo um instrumento importante para a condução ao bem-estar comum. No entanto, para uma pessoa de bem, a política pode ser muito mais difícil, surgindo a necessidade de enfrentar alguns desafios.

1.DESCONFIANÇA DA MAIORIA – Meu sogro costuma dizer que perde a confiança em uma pessoa no momento em que esta “entra” na política. Por melhor intencionado que seja o indivíduo, irá enfrentar olhares e gestos de descrença, pois a grande maioria tem a certeza de que todo político rouba, mesmo que não o faça nem deixe fazer. Aceitar ser fiscalizado e investigado constantemente é um sacrifício necessário para alcançar a confiança coletiva em uma função pública.

2.SINCERIDADE e COERÊNCIA – Os políticos tradicionais dizem o que as pessoas querem ouvir (gerar polêmicas não dá voto), enquanto um bom político deve falar o que as pessoas precisam ouvir, colocando-se como condutor de transformações, não só pelo que fala, mas, principalmente, através do seu próprio exemplo de comportamento. Observemos que os políticos menos sérios fogem dos debates, para que depois não sejam cobrados pelo que disseram.

3.INDULGÊNCIA E TOLERÂNCIA – O nosso mundo não é habitado por seres perfeitos. Frequentemente um político asqueroso e repulsivo irá se aproximar do bom político para acordos, pois também aqueles têm poder de negociação. Dentro das “regras do jogo” o bom político deve barganhar, sem, no entanto, aceitar ou permitir práticas inescrupulosas. Este deverá lembrar de Jesus junto aos publicanos (rejeitados pela maioria). Mesmo sentado à sua mesa, não compartilhava de suas idéias, pelo contrário, estimulava-lhes uma mudança de conduta, de modo respeitoso e amistoso. Tolerar e conviver com os infelizes interesseiros não quer dizer comungar com suas idéias e práticas. Se Jesus os aceitava em sua companhia, quem somos nós para não tratá-los como irmãos, mesmo que doentes e necessitados de esclarecimento espiritual?

4.DESAPEGO AO PODER – A capacidade de interferir, de determinar, de organizar a vida social, a exibição do nome e da imagem, o modo de tratamento diferenciado, a distinção social podem gerar um profundo apego ao poder que um cargo oferece. O orgulho e a vaidade têm que estar sob constante vigilância para que o interesse pessoal não suplante o interesse coletivo.

5.AUDÁCIA E HABILIDADE – Atuar com fé em Deus e no futuro e agir de modo determinado, sem prescindir do bom-senso. Ousar contribuir para mudar o que há de errado, envolver os demais com seus gestos e palavras, enfrentando os riscos da rejeição e impopularidade imediatos, mas que devam trazer bem-estar coletivo futuro. Tudo isso, no entanto, fica menos difícil quando há preparo e qualificação, além da experiência de vida ou profissional que dê segurança para o político agir em cada situação.

Esta não é a enumeração de todos os desafios do bom político, mas aqueles que se esforçarem em enfrentá-los poderão contribuir de maneira expressiva para a melhoria de nossa sociedade.

TALVEZ O PRINCIPAL DESAFIO DE UM BOM POLÍTICO SEJA O DE SUPERAR A IMAGEM RUIM QUE SE FEZ DO POLÍTICO EM GERAL, COMO PODEMOS VER NAS GRAVURAS ABAIXO.





sábado, 3 de abril de 2010

ESCÂNDALOS E ABUSOS: REGRESSO MORAL?



É preocupante ver a expressão de desânimo de pessoas de boa índole, trabalhadoras, cumpridoras de suas obrigações, cidadãos esclarecidos completamente sem esperanças diante de tantas notícias de escândalos, abusos e corrupção envolvendo os ocupantes de cargos eletivos. Essa preocupação se amplia quando, ao invés destas pessoas insatisfeitas agirem firmemente para a mudança da realidade, ficam apáticas, inertes e descrentes quanto à possibilidade de avanços e melhoria do ambiente político.

A causa de tamanho desânimo pode estar na forma como percebemos a realidade que nos cerca, muitas vezes baseada em critérios imediatistas e materialistas. Noutros casos percebemos os acontecimentos de forma muito limitada e imprecisa. Necessitamos ver as coisas de um ponto de vista que considere a nossa condição de seres criados por Deus para a integração (solidariedade) e eternidade.

A Doutrina Espírita nos explica que não há retrocesso moral (L.E.-118)*, mas por que parece que as coisas ficam piores com o passar do tempo? Porque passamos a compreender melhor o mal e que aquela realidade não é mais aceitável, fazendo, então, surgir o anseio de reformarmos nossas atitudes e instituições (L.E.-784)*. Observemos bem e veremos que os fatos que hoje repudiamos eram tolerados e aceitos em outros tempos pela nossa sociedade. A consciência da necessidade de mudar é o início do progresso.

Diante disso, apelamos aos homens e mulheres de boa vontade, que desejam ver o progresso social, que se inquietam com as injustiças, que aspiram ao bem comum para não desanimarem, não deixar enfraquecer a esperança. Lembremos que os maus somente dominam em nossa sociedade pela fraqueza dos bons, pois no dia em que estes quiserem, dominarão(L.E.-932)*.

Vamos unir os nossos esforços na fé em Deus, na superioridade do amor e na vivência dos ensinos morais de nosso Mestre Jesus, para nos mantermos atuantes e firmes na busca pelo progresso de nossa sociedade. Podemos debater os atos dos eleitos, acompanhar os acontecimentos da política, instruir a população, mas não podemos ficar desanimados. Nós temos um raio de influência no meio onde estamos inseridos e precisamos influir positivamente.

É claro que o nosso Brasil tem jeito e o nosso inconformismo quanto aos escândalos de corrupção e ineficiência são o início dos avanços que iremos alcançar, seja para nós, seja para as gerações seguintes (das quais também poderemos fazer parte).

*L.E. - Livro dos Espíritos e questão correspondente ao assunto abordado.

FRASES E VÍDEO PARA REFLEXÃO

Agradecemos aos nossos amigos que buscam contribuir com o trabalho do blog ESPIRITISMO E POLÍTICA, nos ofertando material para pesquisa, como o Raul Ventura e o José Francisco Marques. Este último, inclusive, nos mandou interessantes frases para nossa reflexão:

• O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros mais felizes. Pascal

• Pode-se enganar a muitos por algum tempo; pode-se mesmo enganar alguns por muito tempo; mas não se pode enganar a todos, todo o tempo.
Abrahan Lincoln

• Se tens a certeza da existência de Deus, e credes na sua misericórdia divina, por que te desalentas e te desesperas?
Décio Valente

• Se eu pudesse deixar algum presente a vocês, deixaria o acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
Mahatma Gandhi


O VÍDEO A SEGUIR NÃO TEM UMA PRODUÇÃO MUITO BOA, MAS A MÚSICA NOS TRAZ ÓTIMAS REFLEXÕES. É DE UM ÁLBUM DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESPÍRITO SANTO CHAMADO ESTRELA RELUZENTE. O NOME DA MÚSICA É "BRASIL, A TERRA DA ESPERANÇA".

quarta-feira, 24 de março de 2010

OS JOVENS ESPÍRITAS E A POLÍTICA

QUE TAL CARREGAR O VÍDEO ABAIXO ENQUANTO VOCÊ LÊ O TEXTO?



Juventude e política são fenômenos que mantêm uma íntima relação. Como imaginar as revoluções, as manifestações, as reivindicações sociais frente às instituições de poder sem a irreverência, a empolgação, o vigor, as esperanças e até o inconformismo encontrados comumente nos jovens?
Se incluirmos as faixas etárias entre 16 e 34 anos de idade como jovens, iremos encontrar o mais amplo grupo de eleitores brasileiros. Mais uma vez, o maior peso para conduzir o futuro político do Brasil estará nas mãos dos mais jovens.
No entanto, vivemos um período sui generis no Brasil, em que os nossos jovens não se interessam muito pela política, diferentemente do que ocorreu no auge do movimento estudantil, no combate à ditadura, na luta pela redemocratização, na manifestação dos cara-pintadas...
Há um preocupante comodismo, decorrente do modo de vida individualista e interesseiro da atualidade, com ampla atenção voltada a jogos eletrônicos, desejo consumista desenfreado, relacionamentos virtuais, falta de compromisso emocional (manifestado no ficar), aumento do uso de entorpecentes/alucinógenos, vasta oferta de produtos de entretenimento, dentre outros fatores que criam necessidades fictícias individuais e materiais, em detrimento do interesse pelo bem comum e pelo bem-estar moral.
Diante disso, cabe aos que já foram tocados pela luz do esclarecimento, conduzir o processo de transformação, pois, muito se pedirá àquele que muito recebeu. Em especial, fazemos um apelo para a iniciativa dos grupos de jovens espíritas, principalmente os que encontram dificuldades de agregação. Na atualidade, a juventude não tolera somente os estudos teóricos e apáticos, sem dinâmicas ou associações com atividades que contribuam para o bem da coletividade.
Sugiro, então, que as mocidades espíritas desenvolvam um projeto de conscientização dos jovens eleitores e busquem a comunidade onde estão inseridos para mostrar a importância da participação política responsável. Podem se identificar como “Caravana do Jovem Cidadão” ou algo parecido e marcar horários nas escolas para palestras e debates. Jovens conversando com jovens sobre as características e desafios da política brasileira e a contribuição de cada um para a melhoria desta realidade. É claro que essa iniciativa não deveria ter cor partidária, mas respeito à pluralidade e o estímulo à convivência sadia e respeitosa.
Em qualquer cartório eleitoral veremos que a maioria dos jovens que se alistam são levados por candidatos ou cabos eleitorais, usados como “massa de manobra”, outros tantos se alistam sem saber se vão votar, completamente desestimulados e outros mais, mesmo com o direito, não têm interesse em se alistar, muitas vezes pela descrença. É compreensível (mesmo que inaceitável) ver tal comportamento em pessoas que já atravessaram muitas amarguras e desilusões em uma existência, mas quando se manifesta em um jovem, espírito eterno que recebe de Deus a oportunidade de renovar seus ideais, atitudes, metas na nova encarnação, é de lamentar.
O jovem espírita tem a importante oportunidade de participar ativamente e de modo amoroso, de um movimento pacífico e organizado em campanha pelo voto responsável. Juventude espírita, o Brasil necessita de sua participação consciente na construção de uma organização social mais justa, democrática e fraterna.


quarta-feira, 17 de março de 2010

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA: QUESTÃO DE CARIDADE



ENQUANTO VOCÊ LÊ O TEXTO, SUGIRO QUE CARREGUE O VÍDEO ABAIXO. A MENSAGEM É BELÍSSIMA E NOS CONVIDA AO EXERCÍCIO DA CONVIVÊNCIA RESPONSÁVEL.

De acordo com a questão 866 de O Livro dos Espíritos, a compreensão do sentido da palavra caridade, da forma como nos ensinou Jesus, inclui a benevolência para com todos. Desta maneira, podemos compreender como caridade todas as práticas que se comprometem com o bem-estar coletivo, das quais faz parte a ação política séria e responsável, tanto de eleitores como de detentores de mandatos e lideranças sociais.

Aqueles, portanto, que dizem não se preocupar com política e que apresentam variadas justificativas para isso (chatice do assunto, a incompreensão do sistema, a desilusão em relação ao tema ou qualquer outra desculpa) perdem uma excelente oportunidade de contribuir para o bem comum, ou seja, de agir caridosamente.

Queiramos ou não, as ações políticas interferem bastante na vida de todos nós, em especial na vida da população de menor poder aquisitivo e baixos índices de escolaridade, mais afetadas pelas políticas públicas (ou falta delas). Mesmo com todos os avanços, que foram expressivos nos últimos 20 anos, ainda temos mais de 30 milhões de brasileiros que vivem em condições de miséria, a concentração de renda é uma das maiores do mundo e 10% da população nacional é analfabeta. Se não bastasse isso, ainda temos os desafios urbanos, os elevados índices de violência e desemprego, os problemas no atendimento de saúde, a deficiência da infra-estrutura econômica e a ameaça aos nossos ecossistemas, além de tantos outros obstáculos para uma convivência digna, justa e harmoniosa, como a corrupção que, se não existisse, de acordo com a ONG Transparência Internacional, a renda média do brasileiro aumentaria 6 vezes.

Ser cristão e amar o próximo é desejar para cada um desses milhões de irmãos brasileiros o que queremos para nós mesmos. É abandonar o discurso vazio e vivenciar os ensinos do Cristo. E tudo isso também envolve uma participação política séria, seja como candidato, seja como eleitor.

Em anos como este a nossa responsabilidade se multiplica, pois devemos escolher 6 representantes políticos, fato que só acontece a cada 8 anos: presidente, 2 senadores, deputado federal, governador e deputado estadual. Colaborar positivamente neste processo de eleição é fundamental para que nossa sociedade alcance novos progressos. Caso contrário, poderemos passar muito tempo a lamentar o que ainda falta ser feito.

Mesmo sendo aproximadamente 5% dos brasileiros, nós, espíritas, temos muito a contribuir nesse processo, pois somos o grupo religioso de maior escolaridade do Brasil e que muito pode colaborar, através da educação e conscientização dos demais brasileiros quanto à responsabilidade na escolha dos nossos mandatários.


terça-feira, 9 de março de 2010

Kardec e os temas da política 2: A ESCOLHA DOS GOVERNANTES

No livro Obras Póstumas iremos encontrar o texto em que Kardec aborda o tema das ARISTOCRACIAS, que, em síntese, trata da evolução na forma como os dirigentes políticos dos povos alcançam, mantêm e utilizam o poder.


O codificador considerou que os “chefes” são necessários para conduzir uma sociedade e proteger os seus membros. Relata, então, uma breve síntese de como os dirigentes atuaram ao longo da história e nas diversas sociedades.

Em seu resumo histórico, Kardec lembra dos seguintes “chefes” políticos:

• os patriarcas, chefes familiares que conduziam pela sabedoria;

• os chefes militares, que alcançaram o poder pela força bélica e organização na defesa de seu povo, além das conquistas territoriais em relação aos povos vizinhos;

• os nobres, donos de títulos e bens conquistados pela força ou herdados e que transmitiam tais valores, por sua vez, aos seus sucessores, justificando seus privilégios como determinação divina;

• os “revolucionários”, originados das “classes inferiores” (oprimidas) e que empregaram a inteligência em conquistas sociais para suas classes;

• os endinheirados, decorrentes da habilidade empreendedora, mas que em muitos casos estava desacompanhada da moral;

Diante de tal lista, esclarece o codificador que cada povo e cada contexto histórico têm o aristocrata que merece e que sempre é fruto dos interesses e idéias predominantes na sociedade.

Falta, porém, alcançarmos o governo da liderança que, ao mesmo tempo, é adornada pelas qualidades da inteligência e da moral ilibada. Tal fato ocorrerá no momento em que o bem e a instrução dominarem a sociedade. Atentemos para uma passagem do texto que parece corresponder à nossa realidade atual: “hoje a inteligência domina (...) e vedes o homem do povo chegar aos primeiros cargos (...) seria possível juntar-lhe a moralidade?”. Claro, mas para isso, como acrescenta Kardec, é preciso que a moralidade domine numericamente.

Alerta ainda o insigne professor que não devemos perder a esperança de que isso ocorra. Pelo contrário, devemos nos esforçar para que essa realidade se concretize o mais rápido possível, ainda mais porque temos o Espiritismo, apontado pelo codificador como uma causa que deve apressar o advento do progresso social. Cabe a cada um de nós se esforçar para participar desta conquista. O que estamos esperando?

quarta-feira, 3 de março de 2010

DE BAIXO PARA CIMA


Todo político é ladrão”. “Votar não faz diferença nenhuma, nada muda mesmo”. “O Brasil não vai pra frente nunca, com tanta corrupção dos políticos”. Frases como essas representam um pouco das manifestações de desânimo e descrença quanto ao comprometimento de nossos representantes políticos na construção de uma sociedade melhor.


Elas indicam uma imensa ilusão de nossa cultura social: “a do salvador da pátria”, a idéia de que as transformações para uma sociedade melhor serão conduzidas por um chefe político, que fará tudo sozinho, enquanto assistimos de camarote a evolução promovida por um verdadeiro messias salvador do povo.

Essa visão é muito cômoda, pois coloca somente nos outros (representantes políticos) a responsabilidade de melhorar a sociedade em que vivemos, afastando as necessárias atitudes da participação e de controle social nas decisões e destinos de nossa nação.

Além do comodismo, há uma clara aceitação social das práticas inescrupulosas e corruptas “estreladas” pelos nossos representantes políticos e seus aliados. Quem já não ouviu ou disse que “se estivesse no poder também roubaria”, ou ainda que aceita que roubem desde que façam uma boa administração: “rouba, mas faz”. Esse modo de pensar reprime as mudanças, pois viabiliza a corrupção e abre caminho amplo para os mal-intencionados.

Diante disso, fica claro que os representantes políticos espelham a postura dominante na sociedade. Se há muita corrupção é porque aceitamos e/ou participamos da corrupção (principalmente com o jeitinho brasileiro). Quando formos rigorosos com a nossa conduta moral, não iremos admitir representantes que hajam de maneira torpe.

As grandes mudanças morais partem da conscientização individual e da transformação íntima, até alcançar a maioria dos indivíduos. É um processo que parte da educação pessoal, que se combina com a mudança dos demais sujeitos até se tornar uma força transformadora. Assim como a regeneração não acontecerá como um passe de mágica, a melhoria das condições sociais não virá de um messias ou de um automatismo divino.

A mudança irá partir de cada um de nós. Vamos, então, fazer com que estas idéias do amor ao próximo e da responsabilidade perante a lei divina sejam “contaminadas” no nosso meio social. Essa será a força que nos blindará contra a corrupção, os desmandos, os abusos na prática política e que prejudicam tanto a nossa coletividade. Lembremos de Jesus (Mt.6,33): “buscai primeiramente o Reino dos Céus e sua Justiça (a transformação moral) e tudo o mais vos será dado por acréscimo (paz, fraternidade e melhoria das condições sociais).

DO BRASIL PRO MUNDO INTEIRO

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PARTIDO POLÍTICO ESPÍRITA?

A idéia surgiu no século XIX, como uma tentativa de denegrir a imagem da Doutrina Espírita, apresentada em um relatório ao senado francês. Como tudo que envolvia o Espiritismo, gerou ampla repercussão. O assunto foi tratado nas edições da Revista Espírita de julho e agosto de 1868, quando mais uma vez se viu uma tentativa de macular a Doutrina Espírita contribuir para uma maior aceitação de seus postulados.

Kardec não rejeitou, de todo, a idéia, pois entendeu que a concepção de partido nem sempre está relacionada com luta e divisão, podendo ser entendida como a força de uma opinião que merece ser examinada. O codificador, então, deixou claro que o Espiritismo tem capacidade de emitir “pontos de vista” respeitáveis quanto aos fatos que interferem na vida humana, inclusive na vida pública.

Em diálogo com alguns companheiros espíritas, pude perceber, em algumas ocasiões, uma completa rejeição no relacionamento entre o Espiritismo e os fatos da política, quanto mais a um partido político. De fato, a doutrina consoladora é inconciliável com práticas abusivas, egoístas, interesseiras, tão comuns na vivência política. Mas é justamente por isso que sua influência deve se tornar mais forte, para estimular a solidariedade, a tolerância, a cooperação, o respeito às diferenças, o desejo por justiça e a busca pela paz social, ou seja, para estimular o relacionamento amoroso entre os membros da sociedade.

O escritor cearence Luiz Gonzaga Pinheiro, no livro Espiritismo e Justiça Social, defende a criação de um partido espírita, como uma das muitas formas de os espíritas atuarem intensamente na busca de condições sociais mais dignas para todos os membros da comunidade e como uma maneira de repudiar os abusos da politicalha interesseira.

Concordando ou não com esta proposta, fica claro que o Espiritismo tem amplas possibilidades de influenciar de maneira positiva as instituições sociais, reforçando os ideais cristãos e esclarecendo quanto às conseqüências de nossas ações. Lembremos Kardec (ESE, cap. XI, 4).: “quando os homens as tomarem por normas de sua conduta (o amor e a caridade) e por base de suas instituições(...) farão reinar entre eles a paz e a justiça”.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

KARDEC E OS TEMAS DA POLÍTICA 1: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

              O Codificador Allan Kardec, como homem sensato e bastante comprometido com a realidade da sociedade que o cercava, comentou, em várias oportunidades, temas relacionados à política, entendida aqui como o fenômeno social caracterizado pela disputa de interesses (pessoais, institucionais ou de grupos) com vistas a alcançar o poder de organizar e administrar o Estado.
            Abordaremos, neste primeiro comentário sobre as considerações de Kardec, o texto encontrado no livro Obras Póstumas com o lema da Revolução Francesa, que inspira os modernos ideais democráticos.
            Liberdade, igualdade e fraternidade, na visão do nobre Codificador, não são somente palavras, mas ideais que devem ser buscados por todos os indivíduos, em especial os detentores do poder, de modo a possibilitar um convívio social harmônico e justo.
            No entanto, para a sociedade alcançar tal progresso, Kardec identifica os mais perniciosos obstáculos que devem ser superados: o egoísmo e o orgulho. Nas palavras do grande professor: “sendo o egoísmo a praga dominante da sociedade, enquanto ele reinar dominador, o reino da verdadeira fraternidade será impossível”... “para a realização da felicidade social, a fraternidade está em primeira linha”... “tratar alguém como irmão é tratá-lo de igual para igual. Mas qual o inimigo da igualdade? É o orgulho”... “os inimigos da liberdade são, ao mesmo tempo, o egoísmo e o orgulho”.
            O mestre lyonês considerou, ainda, que quando há dominação e injustiça no meio social, há maior possibilidade de conflitos agressivos entre os indivíduos e grupos na busca dos instrumentos do poder, ou para os oprimidos saírem do jugo ou para que as ações dominadoras mudem de mãos.
            Como remédio para tamanho mal, sugere Kardec que cada um de nós trabalhe para “extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo”. Somente assim o convívio coletivo possibilitará a consolidação de instituições e condutas que proporcionem o amparo aos fracos, a superação da ignorância, a realização da justiça, a imunização contra os desvios interesseiros e o cumprimento sensato dos deveres de cada um. Essa é a fórmula para a conquista do bem-estar íntimo e público, a paz individual e social.           
           Observemos que Allan Kardec não se opõe contra pessoas nem grupos, mas contra sentimentos individualistas e idéias materialistas, pois não iremos por fim ao mal destruindo os maus, mas colaborando para sua auto-educação na direção do bem.
            Sonho distante? Mas certamente possível. E quanto mais intensamente colaborarmos com a educação e a reforma moral, nossa e dos demais seres humanos, mais rapidamente os  bons resultados serão alcançados. É a felicidade social, portanto, a nossa felicidade, que está jogo.