domingo, 25 de abril de 2010

DAI A CÉSAR SERVINDO A DEUS



A máxima do “Dai a César o que é de César”, é um convite ao cumprimento zeloso de nossos deveres, incluindo as obrigações que temos perante as autoridades e a sociedade.

O verbo “dar” nos conduz à reflexão de Francisco de Assis: “é dando que se recebe”, indicando-nos a certeza da lei de causa e efeito, a qual estabelece que enfrentamos as consequências de nossa conduta, ou seja, colhemos o que plantamos. Mas o que estamos dando a César (instituições e autoridades constituídas)? Em outras palavras, de que modo agimos em relação aos órgãos estatais e pessoas que dirigem nossa sociedade? E também aqui, a colheita é resultado do que se planta.

Quando o que temos para dar a César é a fraude, como ocorre com a sonegação de impostos, comprometemos o funcionamento do Estado e a sua capacidade de suprir as necessidades sociais. Agindo assim, ainda “autorizamos” os agentes políticos a buscarem a vantagem indevida. Outra consequência é a atitude anti-caridosa de sobrecarregar aqueles que fazem sua parte, submetendo-os ao peso de sustentar a estrutura governamental.

Quando damos a indiferença a César, sem fiscalizarmos e acompanharmos a conduta dos agentes públicos, sem emitirmos opiniões ou oferecermos propostas, recebemos, pela lei do retorno, um Estado desorganizado e ineficiente. Atualmente é muito fácil participarmos de grupos sociais que contribuam para a organização estatal: sindicatos, associações de moradores, entidades filantrópicas como o Centro Espírita, que podem fazer parte de congressos ou conselhos, propor audiências públicas, fazer abaixo-assinado, realizar manifestações ou qualquer outra forma de não ser omisso.

Quando damos a César a crítica revoltada e infrutífera, criamos atritos e desentendimentos. Dessa forma, colaboramos para o distanciamento entre irmãos e a desarmonia social. Indignação sadia e desejo profundo de mudança podem ser vividos com diálogos sensatos e responsáveis, porém, a força capaz de transformações mais consistentes decorre de uma conduta digna, a exemplo do que fizeram Ghandi, Martin Luther King e o maior de todos os mestres: Jesus.

Alguns de nós oferecemos a César a ambição controladora, o apego ao poder, o desejo por facilidades e privilégios, movidos pela ânsia de satisfazer os impulsos materiais e egoístas. O resultado é a insatisfação generalizada, a rivalidade doentia, a possibilidade de traição e a descrença quanto à conduta dos dirigentes.

A Doutrina Espírita nos clareia as mentes para que possamos dar a César a nossa participação consciente e responsável (a começar pela escolha de nossos representantes). Também somos instados a realizar a fiscalização firme dos agentes públicos, a oração piedosa em favor dos escolhidos para ocuparem cargos de decisão e a cumprirmos fielmente os nossos compromissos cotidianos frente às organizações públicas. Dessa forma, será inevitável uma sociedade melhor para nós, pois quando agimos em favor de todos, estamos servindo a Deus.

domingo, 18 de abril de 2010

PARTIDARISMO NO CENTRO ESPÍRITA: SUTILEZAS


Em um grupo espírita sério, a prática político-partidária ostensiva é uma grande aberração. É difícil até imaginar que as cenas a seguir possam ocorrer: o dirigente conduzindo um candidato a tiracolo, apresentando aos membros do grupo como seu escolhido e pedindo voto; permitir que seja colocado cartaz de campanha no mural do centro espírita; oferecer oportunidade para que o candidato se pronuncie na tribuna e peça apoio de todos; aceitar que o político divulgue que é o candidato do centro espírita.

Tais práticas absurdas seriam rechaçadas pela maioria dos espíritas, pois as formas como ocorrem as disputas político-partidárias destoam dos ideais espíritas de solidariedade, tolerância e da busca pela harmonia entre os indivíduos. No entanto, o partidarismo pode estar presente nas casas espíritas de forma sutil, a comprometer o seu funcionamento ou a sua credibilidade. É importante ficarmos atentos a essas sutilezas.

1. APOIO PARA AS ATIVIDADES DO CENTRO EM TROCA DE PROPAGANDA – É muito comum o Centro Espírita procurar a comunidade para apoiar suas atividades (encontros, seminários, feiras...) e quando consegue a contribuição de empresas, por exemplo, retribui com a propaganda em panfletos, camisetas e cartazes do evento. Pode ocorrer que um político ofereça apoio em troca da mesma divulgação, o que evidenciaria uma ligação entre o candidato e a instituição espírita. O mais sensato é não procurar os políticos e se estes oferecerem alguma contribuição, esclarecê-los que somente poderiam aceitar se não fosse em troca de divulgação do seu nome.

2. PALESTRANTES CANDIDATOS – A partir do momento que confirma sua candidatura a um cargo eletivo, o mais sensato é que o próprio palestrante abdique, durante a campanha, de usar a tribuna, mesmo que não aborde temas da política. Se não for por iniciativa pessoal, a direção deve cuidar em afastá-lo, para não gerar a vinculação de sua prática partidária com as atividades do centro.

3. “PANELIHAS” E GRUPOS ISOLADOS – Cuidar para que a formação de grupos não seja fundada em critérios políticos estranhos às propostas espíritas, pois esta prática cria dissensões e desagrega o conjunto, enfraquecendo as atividades da casa espírita, podendo provocar a sua própria dissolução, em virtude das intrigas internas que gera. Esta preocupação é maior nas casas espíritas de cidades pequenas, onde qualquer coisa vira disputa partidária.

4. ESPÍRITA CANDIDATO QUE AUMENTA SUA FREQUÊNCIA AO CENTRO – Após se candidatar, o parceiro de ideal frequenta mais intensamente a casa espírita, onde aparece mais sorridente, atuando em atividades que antes não participava e, ainda que não fale de política, demonstra mais cuidado com as pessoas. Esta preocupação pode indicar interesses obscuros disfarçados em atenção ao semelhante.

5. DIRIGENTES E MEMBROS DO GRUPO PEDINDO VOTO FORA DO CENTRO – Mesmo que fora da instituição, os membros das casas espíritas e seus dirigentes precisam tomar muito cuidado ao fazer campanha partidária, pois os seus pedidos de voto podem parecer uma troca de favores por um benefício recebido, contradizendo a máxima do "dai de graça".

Muitos cuidados devem ser tomados pelos centros espíritas para que a política partidária não gere atritos ou alguma forma de manipulação. Devemos agir com bom senso para não comprometer os nobres ideais espíritas com interesses passageiros e gananciosos.




Observação: sugiro a leitura do capítulo 10 do livro Conduta Espírita (André Luiz, através de Waldo Vieira, publicado pela FEB), com o título Nos Embates Políticos.

sábado, 10 de abril de 2010

OS DESAFIOS DO BOM POLÍTICO



Nem o Mestre Jesus aceitou a qualificação de bom, nos assegurando que só Deus é bom (Mt. 19,16). Como poderemos, então, fazer associação entre o adjetivo bom e a “indigna” figura do político?

Se não existem homens e mulheres puros na Terra, existem, pelo menos, homens e mulheres de bem, que são aqueles cumpridores dos seus deveres, amorosos e justos, que têm fé em Deus e no futuro, são tolerantes e humildes, agem moderadamente e preocupam-se com o bem comum, dentre outras qualidades.

Uma pessoa de bem, mesmo que raramente encontrada, pode ter interesse pela política? Deveria, pois a política estatal possibilita organizar e administrar as instituições públicas, sendo um instrumento importante para a condução ao bem-estar comum. No entanto, para uma pessoa de bem, a política pode ser muito mais difícil, surgindo a necessidade de enfrentar alguns desafios.

1.DESCONFIANÇA DA MAIORIA – Meu sogro costuma dizer que perde a confiança em uma pessoa no momento em que esta “entra” na política. Por melhor intencionado que seja o indivíduo, irá enfrentar olhares e gestos de descrença, pois a grande maioria tem a certeza de que todo político rouba, mesmo que não o faça nem deixe fazer. Aceitar ser fiscalizado e investigado constantemente é um sacrifício necessário para alcançar a confiança coletiva em uma função pública.

2.SINCERIDADE e COERÊNCIA – Os políticos tradicionais dizem o que as pessoas querem ouvir (gerar polêmicas não dá voto), enquanto um bom político deve falar o que as pessoas precisam ouvir, colocando-se como condutor de transformações, não só pelo que fala, mas, principalmente, através do seu próprio exemplo de comportamento. Observemos que os políticos menos sérios fogem dos debates, para que depois não sejam cobrados pelo que disseram.

3.INDULGÊNCIA E TOLERÂNCIA – O nosso mundo não é habitado por seres perfeitos. Frequentemente um político asqueroso e repulsivo irá se aproximar do bom político para acordos, pois também aqueles têm poder de negociação. Dentro das “regras do jogo” o bom político deve barganhar, sem, no entanto, aceitar ou permitir práticas inescrupulosas. Este deverá lembrar de Jesus junto aos publicanos (rejeitados pela maioria). Mesmo sentado à sua mesa, não compartilhava de suas idéias, pelo contrário, estimulava-lhes uma mudança de conduta, de modo respeitoso e amistoso. Tolerar e conviver com os infelizes interesseiros não quer dizer comungar com suas idéias e práticas. Se Jesus os aceitava em sua companhia, quem somos nós para não tratá-los como irmãos, mesmo que doentes e necessitados de esclarecimento espiritual?

4.DESAPEGO AO PODER – A capacidade de interferir, de determinar, de organizar a vida social, a exibição do nome e da imagem, o modo de tratamento diferenciado, a distinção social podem gerar um profundo apego ao poder que um cargo oferece. O orgulho e a vaidade têm que estar sob constante vigilância para que o interesse pessoal não suplante o interesse coletivo.

5.AUDÁCIA E HABILIDADE – Atuar com fé em Deus e no futuro e agir de modo determinado, sem prescindir do bom-senso. Ousar contribuir para mudar o que há de errado, envolver os demais com seus gestos e palavras, enfrentando os riscos da rejeição e impopularidade imediatos, mas que devam trazer bem-estar coletivo futuro. Tudo isso, no entanto, fica menos difícil quando há preparo e qualificação, além da experiência de vida ou profissional que dê segurança para o político agir em cada situação.

Esta não é a enumeração de todos os desafios do bom político, mas aqueles que se esforçarem em enfrentá-los poderão contribuir de maneira expressiva para a melhoria de nossa sociedade.

TALVEZ O PRINCIPAL DESAFIO DE UM BOM POLÍTICO SEJA O DE SUPERAR A IMAGEM RUIM QUE SE FEZ DO POLÍTICO EM GERAL, COMO PODEMOS VER NAS GRAVURAS ABAIXO.





sábado, 3 de abril de 2010

ESCÂNDALOS E ABUSOS: REGRESSO MORAL?



É preocupante ver a expressão de desânimo de pessoas de boa índole, trabalhadoras, cumpridoras de suas obrigações, cidadãos esclarecidos completamente sem esperanças diante de tantas notícias de escândalos, abusos e corrupção envolvendo os ocupantes de cargos eletivos. Essa preocupação se amplia quando, ao invés destas pessoas insatisfeitas agirem firmemente para a mudança da realidade, ficam apáticas, inertes e descrentes quanto à possibilidade de avanços e melhoria do ambiente político.

A causa de tamanho desânimo pode estar na forma como percebemos a realidade que nos cerca, muitas vezes baseada em critérios imediatistas e materialistas. Noutros casos percebemos os acontecimentos de forma muito limitada e imprecisa. Necessitamos ver as coisas de um ponto de vista que considere a nossa condição de seres criados por Deus para a integração (solidariedade) e eternidade.

A Doutrina Espírita nos explica que não há retrocesso moral (L.E.-118)*, mas por que parece que as coisas ficam piores com o passar do tempo? Porque passamos a compreender melhor o mal e que aquela realidade não é mais aceitável, fazendo, então, surgir o anseio de reformarmos nossas atitudes e instituições (L.E.-784)*. Observemos bem e veremos que os fatos que hoje repudiamos eram tolerados e aceitos em outros tempos pela nossa sociedade. A consciência da necessidade de mudar é o início do progresso.

Diante disso, apelamos aos homens e mulheres de boa vontade, que desejam ver o progresso social, que se inquietam com as injustiças, que aspiram ao bem comum para não desanimarem, não deixar enfraquecer a esperança. Lembremos que os maus somente dominam em nossa sociedade pela fraqueza dos bons, pois no dia em que estes quiserem, dominarão(L.E.-932)*.

Vamos unir os nossos esforços na fé em Deus, na superioridade do amor e na vivência dos ensinos morais de nosso Mestre Jesus, para nos mantermos atuantes e firmes na busca pelo progresso de nossa sociedade. Podemos debater os atos dos eleitos, acompanhar os acontecimentos da política, instruir a população, mas não podemos ficar desanimados. Nós temos um raio de influência no meio onde estamos inseridos e precisamos influir positivamente.

É claro que o nosso Brasil tem jeito e o nosso inconformismo quanto aos escândalos de corrupção e ineficiência são o início dos avanços que iremos alcançar, seja para nós, seja para as gerações seguintes (das quais também poderemos fazer parte).

*L.E. - Livro dos Espíritos e questão correspondente ao assunto abordado.

FRASES E VÍDEO PARA REFLEXÃO

Agradecemos aos nossos amigos que buscam contribuir com o trabalho do blog ESPIRITISMO E POLÍTICA, nos ofertando material para pesquisa, como o Raul Ventura e o José Francisco Marques. Este último, inclusive, nos mandou interessantes frases para nossa reflexão:

• O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros mais felizes. Pascal

• Pode-se enganar a muitos por algum tempo; pode-se mesmo enganar alguns por muito tempo; mas não se pode enganar a todos, todo o tempo.
Abrahan Lincoln

• Se tens a certeza da existência de Deus, e credes na sua misericórdia divina, por que te desalentas e te desesperas?
Décio Valente

• Se eu pudesse deixar algum presente a vocês, deixaria o acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
Mahatma Gandhi


O VÍDEO A SEGUIR NÃO TEM UMA PRODUÇÃO MUITO BOA, MAS A MÚSICA NOS TRAZ ÓTIMAS REFLEXÕES. É DE UM ÁLBUM DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESPÍRITO SANTO CHAMADO ESTRELA RELUZENTE. O NOME DA MÚSICA É "BRASIL, A TERRA DA ESPERANÇA".

video